Eudora

Essa semana a linha Eudora do Grupo Boticário foi lançada para vendas diretas através de revendedoras, internet e lojas em alguns pontos estratégicos (é… se são estratégicos a gente discute mais tarde).

Eu particularmente adoro cosméticos e o meu lado feminino ficou tipo assim…

Mas o meu lado de profissional de marketing quis refletir um pouco. Será que essa história dá pé?

Pesquisando um pouco sobre o mercado, observei que as vendas diretas tiveram um aumento de 17,2% em 2010, totalizando um significativo volume de negócios de R$ 26 bilhões. Dá mesmo para perceber que as marcas têm investido bastante em sua imagem e vemos aqui e ali sinais de empresas novas ou que não eram tão difundidas no Brasil (alô Jequiti, Racco e Mary Kay).

O setor de cosméticos, nem se fala. Pouco afetado pela crise de 2009, vem revelando altas taxas de crescimento acima da indústria em geral desde 2003. O Brasil é, ainda, o terceiro principal mercado mundial para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, estando na frente de China e atrás de Estados Unidos e Japão.

O Grupo Boticário aproveitou o cenário favorável e lançou a linha Eudora (confere lá), segundo a PEGN, para mulheres a partir dos 25 anos, de todas as classes sociais. Por causa disso a variação de preços entre os produtos é grande, o batom Soul, por exemplo, é baratinho e custa cerca de 10 reais. Já algumas fragrâncias passam de 100 reais. Eu, particularmente, achei o itens baratos, mais acesíveis e simples que os d’O Boticário.

Outro item para se observar da nova marca é o esquema de distribuição e vendas. Foram inauguradas duas lojas até agora– uma no shopping Morumbi e outra no Paulista. Também é possível comprar pelo site e, em breve, pode ter uma revendedora Eudora batendo na sua porta, cuidado!

Olha, não gostei dessa história de produzir para todo mundo, não. Padim Kotler ensinou a segmentar e posicionar para alguns, não para todos. Padim Porter ensinou que, se for para vender para a massa, a vantagem estratégica deve ser liderança em custo ou diferenciação do produto. Será que dá para encaixar a Eudora em algumas dessas estratégias competitivas genéricas?

Admiro e apoio a iniciativa de entrar em um mercado que é tão pulverizado como os de cosméticos e que, no quesito vendas diretas, é dominado há muito tempo por uma gigante como a Avon. Só que a minha intuição diz que loja física, ainda mais no shopping Morumbi, não combina com revendedoras nem com batom de 10 reais.

Eles devem saber o que fazem. Irmãos, marketemos.

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2 respostas em “Eudora

  1. Concordo. Também fiquei eufórica com o lançamento da Eudora, mas acho que a marca não se encontrou. Enquanto não decidirem se são mais ou menos sofisticados que o próprio Boticário, o público também não vai saber. Daí é aquela confusão: “não compro porque deve ser de dondoca”, ou “ai, cosmético de revendedora é tão pobrinho”. Para pipocar preconceito é um pulo; agora, pra vender…
    E um adendo: não conhecia o blog, e adorei. Bem escrito, simples e divertido. Aprovadíssimo. Palavra de jornalista, que também sofre com público-alvo, mercado e – por que não? – marketing.

    • Essa é exatamente a impressão que eu tive da marca! O tempo dirá se estamos subestimando a Eudora, ou se ainda têm surpresas vindo por aí.
      Acabei de entrar para a blogosfera e ainda estou me ajustando =) Dicas e críticas serão super bem-vindas (também estou acompanhando o seu blog e a recente reformulação! Ficou ótimo!).

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