A essa altura do campeonato…

Que a onda de luxo para as massas está com tudo, ninguém nega. Vemos Stella McCartney na C&A, Cris Barros na Riachuelo e até Kate Moss está em tudo quanto é capa pela Valisiere, concorrendo com Gisele, pela Hope. Todo mundo quer glamour e as lojas mais acessíveis estão prontas para atender o mercado, baby.

Agora, que a tendência em marketing social e que empresas devem mobilizar comunidades em prol de ações responsáveis é algo irreversível, todos concordam, assinam embaixo e dizem “amém!”. Luxo sim, desde que não se escravizem chinesas, ok?

Tá. Então alguém me explica o que foi isso da Arezzo nesta semana?

Todos já devem saber, mas a marca latina lançou recentemente a sua coleção PeleMania de bolsas e sapatos com peles exóticas. Por exóticas você pode entender pele de animais, aqueles lindos e fofinhos que até pessoas que não gostam, como eu, se apaixonam.

PeleMania: chame como quiser, eu chamo de asneira.

O resultado foi absolutamente previsível: o assunto bombou nas redes sociais, um boicote à marca foi promivido através do Facebook e a Arezzo recolheu as peças das suas lojas. O prejuízo de imagem certamente foi maior que o financeiro e tudo que eu fico pensando é: pra que usar uma matéria-prima altamente polêmica e contra a principal tendência de marketing a essa altura do campeonato?

Por essa ação, irmãos, oremos e acendamos uma vela.

Todos queremos ser [os mesmos] jovens?

Esses dias eu estava lendo uma crônica da Ivan Angelo, chamada Receita de Felicidade. Simpática, afirmava que é muito difícil ser feliz antes dos 30, já que a juventude tem urgências, compromissos com a aprendizagem, com a paixão, sonhos e competição, elementos que, embora muito bons, não geram felicidade, mas sim angústia.

Sim, we all want to be young, e eu também quero. Nossa geração Y tem sede por estas angústias. Quer sucesso, quer se comunicar rápido e crescer mais ainda, nem que para isso tenha que pular de galho em galho e empresa em empresa até ter um cargo gerencial para chamar de seu. Opa! Tô dentro.

O que eu não quero para mim é que a categoria Y se torne um imperativo do que eu devo ser. É impressão minha ou tem uma certa dose de estereótipo pairando no ar?

Penso em processos seletivos que participei nos últimos tempos. Ter as características Y é sinônimo de sucesso: o cara vai começar como trainee e ganhar seu primeiro milhão antes dos 30. Agora se você é tímido, ou não entrou para a nova rede social, ou não tem smartphone nem tuíta a todo instante sem direito a pausa para o banheiro, atenção: é melhor se contentar com o título de incompetente. Ou arranjar marido rico.

Lembro ainda que os Y não são apenas uma nova geração de profissionais, são um segmento de mercado. Isso me faz repensar esse burburinho todo. Falar tanto do que devemos ou não ser é ótimo para as empresas que contratam jovens que querem por a mão na massa. E é melhor ainda para as empresas que vendem para estes mesmos jovens. Ou você acha que aquela nova linha de smartphone com acesso ao Facebook surgiu por coincidência?

Melhorar nossas habilidades e competências é fundamental. Eu luto por isso diariamente, enquanto vou atrás do meu sucesso em meu futuro cargo gerencial. Mas não porque eu sou uma Y. É esta a forma que eu busco a minha felicidade.

Eudora

Essa semana a linha Eudora do Grupo Boticário foi lançada para vendas diretas através de revendedoras, internet e lojas em alguns pontos estratégicos (é… se são estratégicos a gente discute mais tarde).

Eu particularmente adoro cosméticos e o meu lado feminino ficou tipo assim…

Mas o meu lado de profissional de marketing quis refletir um pouco. Será que essa história dá pé?

Pesquisando um pouco sobre o mercado, observei que as vendas diretas tiveram um aumento de 17,2% em 2010, totalizando um significativo volume de negócios de R$ 26 bilhões. Dá mesmo para perceber que as marcas têm investido bastante em sua imagem e vemos aqui e ali sinais de empresas novas ou que não eram tão difundidas no Brasil (alô Jequiti, Racco e Mary Kay).

O setor de cosméticos, nem se fala. Pouco afetado pela crise de 2009, vem revelando altas taxas de crescimento acima da indústria em geral desde 2003. O Brasil é, ainda, o terceiro principal mercado mundial para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, estando na frente de China e atrás de Estados Unidos e Japão.

O Grupo Boticário aproveitou o cenário favorável e lançou a linha Eudora (confere lá), segundo a PEGN, para mulheres a partir dos 25 anos, de todas as classes sociais. Por causa disso a variação de preços entre os produtos é grande, o batom Soul, por exemplo, é baratinho e custa cerca de 10 reais. Já algumas fragrâncias passam de 100 reais. Eu, particularmente, achei o itens baratos, mais acesíveis e simples que os d’O Boticário.

Outro item para se observar da nova marca é o esquema de distribuição e vendas. Foram inauguradas duas lojas até agora– uma no shopping Morumbi e outra no Paulista. Também é possível comprar pelo site e, em breve, pode ter uma revendedora Eudora batendo na sua porta, cuidado!

Olha, não gostei dessa história de produzir para todo mundo, não. Padim Kotler ensinou a segmentar e posicionar para alguns, não para todos. Padim Porter ensinou que, se for para vender para a massa, a vantagem estratégica deve ser liderança em custo ou diferenciação do produto. Será que dá para encaixar a Eudora em algumas dessas estratégias competitivas genéricas?

Admiro e apoio a iniciativa de entrar em um mercado que é tão pulverizado como os de cosméticos e que, no quesito vendas diretas, é dominado há muito tempo por uma gigante como a Avon. Só que a minha intuição diz que loja física, ainda mais no shopping Morumbi, não combina com revendedoras nem com batom de 10 reais.

Eles devem saber o que fazem. Irmãos, marketemos.

Glamour para as massas

Há algumas semanas, houve um burburinho geral na blogosfera especializada em moda. Por diversos motivos, teve quem amou e quem detestou a coleção da Stella Mccartney para a C&A.

Avisos aos desavisados: Stella é filha do famoso cantor inglês com o mesmo sobrenome, e referência no quesito moda atual. Preocupadíssima com a qualidade dos materiais de suas roupas, e também com a sua procedência (seguindo a onda natureba), Stella produz peças ditas “elegantes e atemporais”. E caras. Sim, como marca posicionada em luxo, não é de se espantar que os preços sejam bem compatíveis com o público (confere aí).

Pois bem. Eis que no final de março, a parceria com a C&A gerou controvérsias também entre os profissionais de marketing. A campanha era linda e bastante cativante para o público feminino. As peças eram diferenciadas e com um preço meio salgado para os padrões C&A de qualidade.

Se posicionamento é o espaço que marcas ocupam na mente do consumidor, podemos dizer que o posicionamento da C&A mudou bastante durante os últimos anos. Há muito tempo a figura do Sebastian deixou de estar associada à loja. Em 2006, a marca sofreu um enorme impulso em seu volume de vendas ao adotar Gisele Bündchen como garota propaganda em uma de suas campanhas. Desde então, diversos ícones internacionais que influenciam o jeito feminino de se vestir (ou ser) marcaram presença nas comunicações e coleções: Fergie, Beyoncé, Nicole Scherzinger, Cristina Aguilera (nhém) e tops como Isabeli Fontana, Raica Oliveira e a própria Gisele. As parcerias com grandes estilistas também não são novidade:  já passaram por lá Isabela Capeto,  Amir Slama, Renato Kherlakian e Hercovithc.

Será que todo esse glamour combina com a C&A? Será que a loja que, além de roupas com qualidade média, vende seguro e crédito pessoal tem a ver com o luxo de grandes estilistas?

A verdade é que a C&A tem se posicionado como ímpar, diferenciada mesmo que entre as grandes magazines. Adotou com afinco a questão do fast fashion, com coleções compactas, de alta rotatividade e acompanhadas de muito burburinho, diga-se de passagem. Resultado? O faturamento ó…

Faturamento das Grandes Magazines no Brasil. Fonte: Relatório Institucional Renner

Acho que convidar Stella Mccartney está bastante alinhado a ações estratégias anteriores da marca. Além do mais, entre a ralé e o crème de la crème, tem muita gente sim que quer uma Stella pra chamar de sua. E inclusive pagar um pouco a mais por isso.

OLÁ, MUNDO.

Olá!

Sou a Ana, muito prazer. Terminei a minha graduação em marketing em 2010 e o fim da rotina frenética de artigos, papers e projetos deixou um vazio que resolvi preencher com este blog.

Vamos conversar sobre produtos, marcas, estratégias e o que mais a gente quiser colocar em pauta. Pelas empresas e suas ações, irmãos, marketemos!